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Vazio

“Um dia você ficará cego, como eu. Estará sentado num lugar qualquer, pequeno ponto perdido no nada, para sempre, no escuro, como eu. Um dia você dirá, estou cansado, vou me sentar, e sentará. Então você dirá, tenho fome, vou me levantar e conseguir o que comer. Mas você não levantará. E você dirá, fiz [...]

A vida

“como um comentário de outra coisa que não alcançamos, e que está aí ao alcance do salto que não demos.” Julio Cortázar, em algum de seus livros.

Lembre do tempo, mas

“Quando a sombra do caixilho apareceu na cortina era entre sete e oito horas, e portanto eu estava no tempo de novo, ouvindo o relógio. Era o relógio de meu avô, e quando o ganhei de meu pai ele disse Estou lhe dando o mausoléu de toda esperança e todo desejo; é extremamente provável que [...]

O peso do presente

“É preciso enfrentar as coisas como elas são, ele sonhava. Não fugir do peso medonho do instante presente. A filosofia inteira do século se debruça sobre esse instante vazio, ele relembra. O problema é que as coisas – o filho agora, e toda a interminável e asfixiante soma dos pequenos fatos cotidianos que ele acumulou [...]

Perto do coração selvagem

“Eis-me de volta ao corpo. Voltar ao meu corpo. Quando me surpreendo ao fundo do espelho assusto-me. Mal posso acreditar que tenho limites, que sou recortada e definida. Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma. Quando me surpreendo ao espelho não me assusto porque me ache feia [...]

A névoa

Mis pasos en esta calle Resuenan En otra calle Donde Oigo mis pasos Pasar en esta calle Donde Sólo es real la niebla Octavio Paz.

O tempo, o tempo, o tempo…

“nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero (…) o tempo, o tempo, o tempo me pesquisava na sua calma, o tempo me castigava … que súbito espanto, que atropelos, vendo o coração me surgir assim de repente feito um pássaro ferido, gritando aos [...]

Pensamento

“Corrói-me um pensamento atroz: morrer na cama, entre lençóis e, como flor quando em sigilo o dente do verme a rói, fanar-me lentamente, consumir-me, tal qual vela a queimar em quarto sem vivalma, devagar.” Petöfi

The Malady of Death

Velho lobo

“Conforme ficamos velhos, rituais vão se colando ao nosso dia, como uma craca ao barco antigo. De repente, percebemos que não saímos mais de casa sem uma meia extra, ou que não lemos romances em papel muito branco, ou que não temos paciência para assistir a trailers no início da sessão, e aguardamos na sala [...]

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