E unibus pluram

Porque o post abaixo tem muito que ver com esse ensaio magnífico do David Foster Wallace. Invista tempo lendo isso, ainda que seu inglês seja precário e você demore.

Autocrítica





















Isso significa que se eu publicar em meu blog esse quadrinho do JR Mora, estarei isento da crítica implícita. Por isso seguirei opinando sobre o que não me diz respeito, nem sobre o que não me perguntaram, porque agora estou imune. Pode parecer que não, mas é assim que funciona. Estou falando de blogueiros? Claro que não. Problemas se discutem na origem, certo? Perde-se tempo avaliando consequências, se a pretensão é entender suas razões. Sabemos que o cinismo, ironia, sarcasmo, isso tudo não surgiu no século passado. Mas, a título de recorte, digamos que a Televisão inculcou na consciência dos telespectadores que a autocrítica, se levada na brincadeira e feita contra si mesmo, isso redime o sujeito passível dela pelos outros. Por isso, desde o princípio, a televisão já zombava de si mesma.

Hoje, vemos alguns retardatários aplicando essa tática, seja em suas obras artísticas, seja em suas propagandas descartáveis, programas rasos, opiniões sem fundamento, etc. E o pior é que isso se tornou um pensamento tão enraizado, que hoje se aplica essa espécie de raciocínio automatizado e pouco se percebe. Aquela história, eu tento criticar ‘por tabela’ os outros e não percebo que recaio na própria crítica que faço. Por isso que a autocrítica é tão necessária em épocas como essa. Continua no próximo post:

Inland empire

Onthophagus taurus

Entre os da sua espécie, esses caras são os mais fortes do mundo. Conseguem carregar nas costas o equivalente a 1.141 vezes o próprio peso. Essa conclusão não é arbitrária, cientistas da Queen Mary, em Londres, se esforçaram para prová-la. E como o que ocorre em toda espécie de sujeito no mundo, a questão é sexual e envolve as mulheres. Mas um dado ainda mais interessante vem agora. Os mais fracos têm testículos enormes e espermas potentes. São conhecidos entre eles como amantes, aqueles oportunistas que esperam os garanhões se distraírem para pegar suas mulheres (algo a se pensar, hum). Outras espécies interessantes você encontra aqui. Fique esperto com eles.

Tábula rasa

Ontem, me referi a anteontem, quando falei em sujeito insensível. Mas não falei, só pensei. Que a insensibilidade anda tomando conta de todos nós, como uma doença na alma corroendo a carne até os ossos. Muito dramático? Diariamente, vemos as pessoas agirem de modo insensível, quando se preocupam completamente com si próprias e são incapazes de se importar pelo outro. Alteridade aqui é papo medieval, século das trevas (o outro ao qual me refiro diz respeito ao amigo, à família, a um ente querido – sente o drama). Na ordem do dia está o individualismo (há um século e meio, mais ou menos). O sujeito moderno só sente quando é com ele, daí reage, responde ou participa, ajuda, etc. Daí mais então, quando se mergulha o senso crítico no raso da sensibilidade, pode esquecer a consciência, quer individual, imagina então social. É quase o cada um por si, quase lá. Novo parágrafo: mas o que isso tem a ver com os assuntos anteriores? Na medida em que, hoje em dia, só o sujeito salva (sente o drama?).

I, robot

Daí hoje eu li uma matéria do Bruno Natal sobre o uso indiscriminado do suporte digital (o eixo é um texto do Fernando Meirelles que desencadeou essa discussão toda). Ligando o texto do Pinker (de ontem) com esse papo sobre a tecnologia digital, a conclusão não muda: a culpa é de quem? Impressionante o quanto se usa mal a tecnologia (algo que surge a nosso favor é transformado num mal inevitável). Sem falar nos embates rasteiros que surgem, como por exemplo digital x analógico. Não é uma coisa contra a outra, surgindo com a finalidade de tomar lugar. Trazendo pro campo das letras, imagine o quanto um Flaubert da vida ia ficar contente em poder utilizar o computador pra fazer suas constantes reescritas. Claro, ele poderia ser idiota e mudar seu jeito de escrever enfeitiçado pelo mal uso da tecnologia. Porém, idiota somos nós se pensarmos que um sujeito com o senso estético dele cairia nessa. Ele faria bom uso da ferramenta, não a confundindo com seu foco de trabalho, esse é o ponto e Meirelles chama atenção pra isso. O que salva, na real, ainda é o sujeito, mas como eu disse, ontem, esse sujeito anda tão insensível…

Não culpe, assuma

Dia desses, linkei no twitter um artigo do Steven Pinker, em que ele isenta a internet da culpa por nossa suposta superficialidade. Pois é opinião corrente a de que com o Google (ou a Wikipedia, se preferir) o conhecimento vem se tornado raso, certo? Errado. O conhecimento cresce, nenhum problema com ele. Problema mesmo têm aqueles que não conseguem utilizar a tecnologia a favor, sofrem de déficit de atenção e concentração e, pior ainda, consomem cultura rasa ou entretenimento barato porque dói na alma o que exige um mínimo de reflexão. Certo? Pinker diria que sim, mas porque ele é cerebral demais e culpa quem cai nesses equívocos. Para quem tem coração, esse cenário só detona com o ser humano e está tudo errado.

Philip Roth

“Quando perguntei sobre a injustiça de não ter recebido ainda o Prêmio Nobel de Literatura, o grande autor americano me convocou para o jardim, me mandou olhar a natureza em volta e devolveu a pergunta: você acha que ainda preciso de um Nobel?”

Entrevista com o escritor, aqui.

B

Baby I’m yours

Depois de você se encantar com essa faixa linda do Breakbot, veja mais trabalhos da Irina Dakeva aqui.

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