Opini
ãões

“O que você quis dizer?” não é uma boa pergunta. Pergunta boa é “você quis dizer que…?” E assim caminha a humanidade, na cultura do “acho que” contra a do “tem razão”.

Perceba, não digo que sim, nem digo que não, mas sigo dizendo. E eis, é como as coisas são. Todos e tantos acham, que agora tanto faz, pois vale tudo. E esse tudo é confundido com a verdade. Aliás, o que é isso sobre o que sequer filósofo algum sabe? Nada, afinal nunca chegaram a conclusão alguma. Então, são tantos eus espalhados que, pensa-se, como um deles reivindicaria ter a verdade de todos os outros (não é mesmo)?

Relativismo aqui é pouco, trata-se de alheamento e individualismo, a conquista da própria liberdade aprisiona o direito alheio. Claro, se este pensar de outro modo, que não do meu. E assim mudou-se o penso, logo existo, para logo existo, acho. Há quem fale em democracia e celebre a multiplicidade. Poucos desconfiam da verdade, aquela maiúscula, pois ela é luz, trazida pelas escrituras e semeada pela fé. E a fé não se questiona, aceita.

Indo além, é semelhante à vida, que se estupra para saciar um desejo e, nessa conquista à força, despreza-se o rosto da vítima. Já que para esse crime não há punição, por ser cometido e consentido por todos, então as conquistas de cada um intensificam a doença de todos os outros. Punição do tipo indolor, que não se nota a olho nu, dói na alma e fere a carne, mas aí adentramos a religião. Não questione, obedeça.

As dores vêm de tantos lados, que fica difícil se concentrar em qual é o mal. Uns aproveitam e riem para não chorar, outros choram por não conseguirem anestesiar, mas todos sentem que desse jeito não dá. Porém, quem muda? A chaga dói e a cicatriz anda exposta. Quem vê?

Com isso, me diga, já conheceu uma história em que os fatos anteriores eram cenas dos próximos capítulos? Claro, a rotina, você diria. Agora, pense comigo, não é exatamente a rotina um indício de necessidade de mudança?

Para isso serve a opinião. Quando ela se estabiliza, é hora de mudá-la. Mas você acha que basta conjugar o verbo para se alcançar a sabedoria? Bom, se for uma pessoa de fé, continue e diga com convicção: “Eu acho que”.

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