Serenidade
pública

Em uma discussão, aquele que aumenta de maneira viril a voz e acelera de modo selvagem a fala, revela menos o intuito de persuadir à força a pessoa com quem discute, do que tolamente legitimar a postura burlesca que se inflama. Passa, invariavelmente, a agir por conta própria contra a sua própria conta, travando uma luta arrogante e ingrata, por vezes boba e hilária.

É como ele estupidamente tenta se convencer de que sua opinião ainda é válida. E, conforme a ignorância se excita, sua intenção de justificar a raiva que acredita ser causada pelo outro e sua opinião contrária, mas é já sintoma de sua irracionalidade, cresce na mesma medida em que o consome diminuindo completamente o valor do que tem para dizer.

Diz-se que esse tipo de verdade sempre vem à tona, não importa o esforço que se despenda para ocultá-la. É como o domínio público do ser perde a compostura para a besta privada.

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