(…) É impressionante mesmo como a mão que acaricia também machuca, o mesmo corpo que nos inspira também repulsa, e não fossem tão cegos os desejos, descobriríamos que a eternidade que eles sugerem é indelével no rastro que depois em nós deixam. A ruína é o caminho que eles traçam e a dor com que nos presenteiam é um percurso que esconde o caminho de volta, pois não há para onde voltar, apenas entregar-se a esse céu em queda. Sei que essas palavras não irão estancar meu sangramento, mas desejo que você me veja sangrar para que se reconheça como autora desses meus lamentos (…) Ps.: Escrito em 2004 e encontrado, dia desses, numa maleta em que guardo cartas não enviadas.
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3 comentários
Engraçado como temos manias de pensar que determinadas coisas apenas nós fazemos. São várias as cartas não enviadas.
Tem razão, agimos demais na primeira pessoa.
Eu pretendo desenvolver esse conto aí, algum dia, pois há uma bonito história de amor por trás dele.
Concordo que a mão é a mesma,talvez as coisas não sejam tão binárias quanto desejamos..
conte-nos sua história.
*passeando pelo mundo literário, achei seu blog e resolvi comentar.