“A paródia moderna, afirma Linda Hutcheon, se distingue da imitação ridicularizante mencionada nas definições padrões dos dicionários. Além de reativar o passado, dando-lhe contexto novo e freqüentemente irônico, ela exige do leitor maior atualização e melhor conhecimento do passado, levando-o, se preciso for, a voltar a ele para uma maior integração com a obra. Em sua inversão irônica, é um jogo com convenções múltiplas, uma prolongada repetição com diferença crítica, uma confrontação estilística que, longe de desmerecer o original, ressalta nele apenas a diferença. Por seu aspecto sofisticado, a paródia faz exigências não apenas daqueles que a utilizam como também de seus intérpretes. De fato, tanto o escritor quanto o leitor devem efetuar uma superposição estrutural dos textos, que incorpore o antigo ao novo, visto que ela é uma síntese bitextual.”
Logo na primeira página da Introdução do Ulisses (Objetiva, 2008, R$ 92,00), de James Joyce, escrita pela tradutora Bernardina da Silveira Pinheiro. Como se pode notar, ela apóia-se nas idéias da crítica canadense Linda Hutcheon. E, como se pode perceber, também, a paródia mordena (ou contemporânea) ordinária segue partindo dos dicionários, muitas vezes misturando paródia com sátira, ou melhor, falta de criatividade com tiração de sarro.










