Um dia, levantei com disposição. Não era urgência, nem ansiedade, eu estava era determinado. No hospital, me cumprimentavam pelo primeiro nome e o café tinha gosto de dádiva. São pacientes terminais, com as cabeças e sobrancelhas desnudas. Quer saber? Ao se deparar com o precipício das horas, você tende a valorizar a existência do tempo. Isso significa que há esperança. Os parentes lamentam, eles carregam o peso nos olhos, engasgam o medo na garganta. É triste de ver. Mas depois, no cantinho da tarde, ouço o desejo dos pacientes, por mais um dia, um diazinho que seja. Nessa hora, não parece triste, pois eles clamam com sorrisos, agradecidos por mais um pouco de vida. Quando volto para casa, em um dia desses, sinto-me revigorado; e eu sei o quanto isso é irônico. Mas o que me incomoda é implorar a Deus, antes de me deitar, que na manhã seguinte essa mesma disposição me desperte; um diazinho mais que seja.
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