Entre a Conselheiro Laurindo e a Treze de Maio, um motoqueiro foi encurralado contra a lateral de um ônibus, quando tentava ultrapassar um veículo da marca Fiesta. A motorista desceu exasperada, com as mãos na cabeça dizendo “não pode ser, Deus do céu! não pode ser!” – até parecia o desespero de um particular, na certa que seria demitido. O motoqueiro não resistiu e morreu ali mesmo. No Hospital Evangélico, teve que dar a notícia à própria vizinha. “Glória, não sei como pode um negócio desses!, tantos motoqueiros no mundo e bem o Roberto!”. Glória não era idiota, há meses mal dormia desconfiada que estava da vizinha com o Roberto, afinal, saíam sempre no mesmo horário e ele não deitava mais tão perto quanto antigamente. “É hora de trabalho de todo mundo, amor”. “Eu chego cansado, benhê”. Nunca deu ouvidos e estava pra contratar algum tipo de detetive, se juntasse um dinheirinho. Nem foi preciso, e teve a certeza, na hora! “Essa maldita desgraçou a mim, a meus filhos e ao meu marido”. Mas não ligou pro ódio, nem riu da incrível coincidência ou estupidez do casal de amantes. Glória respirou enfim aliviada, pois agora podia, “Deus do céu”, dormir em paz.
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