La
fontaine

Este é um nome razoável para a nossa peça. Porém os nomes razoáveis, vocês sabem, escondem o quanto são apenas convenientes. E a conveniência, vocês sabem também, só revela a falta de melhor solução.

“Você está falando das pessoas ou dos nomes?”

“Quieto, não o atrapalhe!”

Também falta ainda a quantia necessária para subornar os funcionários, que levantam os cenários e tornam tudo “tão real”. Nem temos sequer a verba destinada para vestir as poltronas do teatro com o público que falta. Pois sem público, vocês sabem, não se prega peça alguma.

Aos fundos, não há camarim, mas sobram banheiros à disposição da “mérde! mérde!”, como se tudo fosse uma questão de sorte. E o que há para ser dito, de fato, o é de um único fôlego e ao vivo, sem os atores saberem se é ensaio e o que é realidade. Ou seria o contrário?

Só sei que, em meio a isso tudo, há aquelas pessoas inconvenientes que eu as vejo assistindo da coxia. Não sabemos quem as traz, mas sei que ninguém suporta a presença delas ali atrás. Pois da coxia você percebe as falhas, não percebe? A armação dos cenários, não? Tudo perde a mágica, sim. Além de que maquiamos a cara, nossas costas são vulgares.

[Neste momento, alguém interrompe. E sai de cena].

“Você tem talento! É difícil se concentrar quando tem gente falando. Continue.”

E quero dizer, ainda, que sequer temos pares de calçados, as personagens andam descalças entre os escombros do tablado. Até parece um charme sujar os pés com o pó dos palcos.

Mas, “do que se trata a peça?”, você me pergunta. “Olha”, eu digo – já irritado por ser interrompido, novamente -, “ela está repleta de fatos histriônicos e situações complexas, não se preocupe com o tema”.

Continuo, dizendo que “para entender o tema, há que se saber que a oferta dos fatos se dá numa desatenção do hábito, notando que o cotidiano é repleto de bons casos”, e me volto para a platéia e faço reverência. Fim do último ato.

A peça possui esta sutil ironia que a perpassa – você percebe? -, costurando as emendas entre suas frases, que não dizem nada se seus narradores se escondem (para não se responsabilizarem pela autoria das aspas).

Não há diálogos porque (chegamos a esta conclusão, no último ensaio) eles são apenas “uma pantomima da voz”, “um solilóquio acompanhado”, “eu gosto”, “já eu, acho…”. Blá blá blá, eu diria.

Posso falar agora de mim, aquele que não narra, nem de algo a mais ele sabe, apenas se expõe a uma ironia que o comanda e, quando o retiram de cena, traz às luzes as personagens que já estavam no palco, mas escondiam-se para terem sua vez privilegiada no espetáculo.

Vai, é a sua deixa:

– E que eu não ache que esta peça começa com era uma vez e termina com acabaram daquele jeito para sempre. Ela está entre estes dois extremos, mas que não são de onde se parte, nem aonde se chega.

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Um comentário

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    Postado 29/09/2015 às 06:26 | Link

    What’s up, the whole thing is going fine here and
    ofcourse every one is sharing information, that’s in fact good,
    keep up writing.

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